Porque é que o tempo é o maior aliado do investidor?
Gestão Indexada

Porque é que o tempo é o maior aliado do investidor?

Duarte Correia·Equipa editorial16 de junho de 20265 min de leitura

Principais Conclusões

  • 1

    O tempo é o parâmetro mais determinante de qualquer carteira, pois os juros compostos fazem o capital crescer de forma exponencial e não linear.

  • 2

    Começar cedo tende a superar o stock picking e o market timing, já que os últimos anos de um investimento longo pesam mais do que todos os anteriores.

  • 3

    Com um horizonte longo, as quedas de mercado deixam de ser emergências e passam a ser oportunidades de comprar a preços mais baixos.

Num contexto em que tantos esperam pelo momento certo, pelo salário mais alto ou pela estabilidade que parece nunca chegar, o ativo mais valioso de qualquer investidor vai-se consumindo silenciosamente: o tempo. É neste enquadramento que os juros compostos surgem como o mecanismo mais poderoso, e mais subestimado, da construção de património. Mais do que uma questão de quanto se investe, o que verdadeiramente determina o resultado é durante quanto tempo o dinheiro permanece a trabalhar, porque a capitalização cresce de forma exponencial e não linear. Neste artigo, exploramos porque é que o tempo é o maior aliado do investidor e de que forma começar cedo supera qualquer tentativa de adivinhar o mercado.

O problema real do investidor

A maioria das pessoas adia o investimento. Esperam pelo momento certo, pelo salário mais alto, pela estabilidade que "ainda não chegou". E enquanto esperam, o ativo mais valioso que têm, o tempo, vai-se consumindo.

Não é falta de intenção. É falta de perspetiva sobre o que o tempo faz, concretamente, ao dinheiro investido.

A explicação simples

Os juros compostos são o mecanismo por trás desta ideia. Quando o seu investimento gera rendibilidade, essa rendibilidade começa também a gerar rendibilidade. Não é uma metáfora. É aritmética.


A diferença entre 10 anos e 30 anos de investimento não é três vezes mais dinheiro. É, em muitos casos, dez ou vinte vezes mais, porque os juros compostos crescem de forma exponencial, não linear

Como um gestor de carteiras pensa

Um gestor experiente sabe que o horizonte temporal é o parâmetro mais importante de qualquer carteira. É ele que determina quanta volatilidade o investidor consegue tolerar e quanta pode ser usada a seu favor.


Com um horizonte longo, as quedas de mercado deixam de ser emergências e passam a ser oportunidades. Num mercado em queda, quem tem tempo está a comprar barato. É por isso que os gestores profissionais raramente reagem ao ruído de curto prazo. O foco está sempre no destino, não nas turbulências do caminho.

O que dizem os dados

Considera este exemplo de um investimento de 10,000€ com uma rendibilidade média anual de 7% (próximo da média histórica do mercado global, ajustada à inflação) ao longo de 30 anos:

  • Ano 0: 10,000€
  • Ano 10: 19,672€
  • Ano 20: 38,697€
  • Ano 30: 76,123€

O dinheiro não triplicou em 30 anos, multiplicou por 7,6. Os últimos dez anos geraram mais do que os primeiros vinte. É isso que a capitalização composta faz: acelera ao longo do tempo.


Há outro dado que vale a pena conhecer: entre 1928 e 2023, o mercado americano nunca registou rendibilidade negativa num período de 20 anos ou mais. Em períodos de 1 ano, o mercado registou perdas cerca de 1 em cada 4 anos. Em períodos de 20 anos, nunca.

R

Resumo

O tempo é o fator mais determinante no sucesso de um investimento, mais ainda do que a escolha de ativos ou o momento de entrada no mercado. Através dos juros compostos, a rendibilidade gera nova rendibilidade e o capital cresce de forma exponencial, fazendo com que os últimos anos de um investimento de longo prazo pesem mais do que todos os anteriores. Por isso, começar cedo e manter a disciplina de investir regularmente tende a superar estratégias mais complexas: o melhor momento para investir foi ontem, o segundo melhor é agora.

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Autor

DC

Duarte Correia

Equipa editorial

Analista de Investimentos - Portfolio Managment

Este artigo tem carácter exclusivamente educativo e informativo. Não constitui aconselhamento personalizado de investimento, recomendação de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro, nem deve ser interpretado como tal.

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